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Falando sobre esta maravilhosa cidade
Museu de História Natural de Taubaté: a ave do terror

O Museu de História Natural de Taubaté guarda um dos tesouros mais surpreendentes da cidade: o esqueleto de uma ave gigante que viveu no Vale do Paraíba há 23 milhões de anos. Ela pertence ao grupo das chamadas aves do terror, e virou o grande símbolo do museu. Para mim, é o passeio que mais desperta a curiosidade de crianças e adultos em Taubaté.

Visitei o museu pela primeira vez numa excursão da escola. Lembro de ficar parado na frente da ave do terror, meio fascinado e meio assustado com aquele bico enorme. Passei o resto do dia falando dela para todo mundo.

Anos depois, voltei com minha sobrinha. A reação dela foi exatamente igual à minha, e eu entendi que esse encanto não tem idade.

Como nasceu o museu

A história do museu começa com um médico taubateano apaixonado por fósseis. Herculano Alvarenga se formou na Faculdade de Medicina de Taubaté em 1973 e se especializou em ortopedia.

No mesmo ano, trabalhadores encontraram uma ossada enorme em uma mina de argila no Vale do Paraíba. A região já era conhecida por abrigar muitos fósseis de animais pré-históricos. Herculano decidiu estudar aquele achado.

O trabalho levou anos. Em 1982, ele publicou um artigo científico que descrevia uma nova espécie de ave carnívora, batizada de Paraphysornis brasiliensis. Ela fazia parte das aves do terror, um grupo que ganhou esse apelido pela forma como caçava suas presas.

Gosto muito dessa parte da história. Um ortopedista de Taubaté, que passava o dia cuidando de ossos humanos, acabou se tornando referência no estudo de ossos de aves pré-históricas.

E ele não parou por aí. Herculano fez doutorado em zoologia na USP e já identificou mais de 15 novas espécies de aves fósseis. Para isso, estudou fósseis de museus de toda a América e da Europa.

Em 1998, o então prefeito de Taubaté o incentivou a criar um museu para expor sua coleção. Com o apoio da prefeitura, o Museu de História Natural de Taubaté abriu as portas quatro anos depois. Hoje, ele leva o nome do seu fundador: Museu de História Natural de Taubaté Doutor Herculano Alvarenga.

O que ver no Museu de História Natural de Taubaté

A estrela do museu é, sem dúvida, o esqueleto da ave do terror. Ver de perto o tamanho daquele animal ajuda a imaginar como era o Vale do Paraíba milhões de anos atrás. Para mim, é impossível não ficar alguns minutos parado na frente dela.

Mas o acervo vai muito além da ave. O museu reúne fósseis da Bacia de Taubaté, uma região rica em registros de animais e plantas de outras eras. Há fósseis de peixes, crocodilos pré-históricos, insetos e até os restos de uma pequena tartaruga.

Ao longo da visita, o público percorre os períodos geológicos da Terra. A exposição mostra a evolução dos animais e do ser humano, com peças que ajudam a entender cada fase.

Algumas réplicas chamam muita atenção. O Museu de História Natural de Londres enviou ao museu uma réplica do Archaeopteryx, uma das aves mais primitivas conhecidas. De Los Angeles, veio um crânio de Tyrannosaurus rex. Para quem gosta de dinossauros, esse é um momento especial.

A coleção de insetos também merece atenção. Ela costuma fazer sucesso com as crianças, que adoram procurar o bicho mais estranho de cada vitrine. Minha sobrinha passou um bom tempo tentando escolher o seu preferido.

O museu também tem forte vocação científica. Ele desenvolve estudos dedicados principalmente aos fósseis da Bacia de Taubaté, o que ajuda a preservar a história natural da região.

Dicas para aproveitar a visita

Depois de algumas visitas, separei as dicas que mais fazem diferença.

Leve as crianças. Este é um dos melhores passeios de Taubaté para os pequenos. Dinossauros, fósseis e insetos despertam perguntas sem fim. Vá preparado para responder, ou para pesquisar junto com elas depois.

Prepare a visita antes. Conte para as crianças a história da ave do terror antes de chegar. Quando elas souberem que o animal viveu aqui mesmo, no Vale do Paraíba, a visita ganha outro sentido.

Escolha um dia de chuva. Por ser um passeio coberto, o museu é uma ótima opção quando o tempo não ajuda. Enquanto a chuva cai lá fora, a pré-história fica à sua espera lá dentro.

Reserve tempo para os detalhes. Muita gente passa direto pelas vitrines menores. Mas são elas que guardam algumas das peças mais curiosas, como os insetos e os pequenos fósseis.

Faça perguntas. Se houver monitores ou guias disponíveis, aproveite. As histórias por trás das descobertas tornam a visita muito mais rica.

Combine com outros passeios. Depois do museu, dá para seguir até o Cristo Redentor ou a Casa do Figureiro, como sugerem alguns roteiros da cidade. Assim, você mistura pré-história, fé e artesanato no mesmo dia.

Horários, endereço e como chegar

O Museu de História Natural de Taubaté fica na Rua Juvenal Dias de Carvalho, 111, no bairro Jardim do Sol.

Não encontrei informações atualizadas sobre horários de funcionamento e valores de ingresso. Por isso, recomendo confirmar esses dados diretamente com o museu antes de sair de casa, principalmente se você estiver com um grupo grande ou com crianças.

Chegar é fácil. Quem vem de São Paulo ou do Rio de Janeiro chega a Taubaté pela Via Dutra. Dentro da cidade, dá para ir de carro, táxi, aplicativo ou ônibus urbano até o bairro Jardim do Sol.

Visitar o Museu de História Natural de Taubaté é fazer uma viagem de milhões de anos sem sair da cidade. Saio de lá sempre com a sensação de que Taubaté guarda segredos muito mais antigos do que imaginamos. Se você ainda não conhece, leve a família e prepare-se para encarar a ave do terror de frente.

Website Oficial: museuhistorianatural.com.br

BrunoCarvalho