Mercato de Quiririm: a história do antigo mercado italiano
O Mercato de Quiririm está fechado e, hoje, não é um destino turístico que eu possa recomendar para visita. Mas ele já foi um dos lugares mais movimentados do distrito, e pode voltar a ser. Neste texto, conto a história desse espaço e o que se sabe sobre a sua retomada.
Neste mês, passei em frente ao prédio durante uma das minhas pedaladas com o meu pai. A fachada continua lá, imponente à beira da estrada, mas o portão fechado deixa um vazio difícil de ignorar. Paramos, tiramos algumas fotos e voltamos para casa com aquela sensação de saudade.
Quem viaja para Campos do Jordão pela Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro, a SP-123, conhece bem esse prédio. Logo no começo da estrada, no distrito de Quiririm, aparece uma fachada inspirada no Coliseu de Roma. Atrás dela, existe um enorme galpão de 12 mil metros quadrados.
Esse galpão funcionava como depósito de grãos. Em 9 de junho de 1999, ele ganhou uma nova vida e passou a abrigar o Mercato Della Colônia Agrícola di Quiririm. Ou seja, neste mês o espaço completa 27 anos de criação.
O Mercato reunia estandes permanentes de comidas típicas, derivados de leite, vinhos, grãos, plantas e artesanato. A ideia era celebrar a herança dos imigrantes italianos que moldaram o distrito. Lembro do cheiro de massa fresca e dos doces caseiros, que tornavam qualquer visita uma pequena festa.
Por dentro, o clima lembrava um festival. As cantinas dividiam o espaço como em uma grande praça de alimentação, só que com sotaque italiano. Muitos viajantes paravam ali por curiosidade, depois de anos passando em frente pela estrada.
Em algum momento, porém, o Mercato fechou as portas. Mas a história não termina aqui. Em junho, a Prefeitura de Taubaté enviou à Câmara um projeto de lei para conceder o prédio. A proposta prevê um prazo de até 25 anos, renovável por mais 25. A finalidade do espaço ainda passaria por audiência pública e pelo Conselho Municipal de Turismo, o Comtur.
Torço muito para que o Mercato de Quiririm volte a abrir. O distrito merece ter de novo esse ponto de encontro entre a estrada, a comida e a memória italiana.
Atualização: Outubro de 2026
O projeto avançou. A Câmara de Taubaté aprovou a concessão em primeira votação no dia 6 de outubro e em segunda votação no dia 13.
O texto final mudou em relação à proposta de junho. Agora, a concessão vale por 35 anos, sem possibilidade de renovação. O prédio pode ir para a iniciativa privada ou para outro ente público, mas deve manter atividades comerciais, culturais ou turísticas.
A destinação será definida após consulta pública e participação do Comtur. Além disso, qualquer reforma ou reconstrução precisará preservar referências arquitetônicas ligadas à identidade de Quiririm. Para mim, esse cuidado é a melhor notícia de todas.
Assim que houver novidades, volto aqui para contar.




